Edição 188

Apesar da crise no setor imobiliário, a busca pela certificação ambiental em construções está crescendo no Brasil. Mesmo que o discurso de esgotamento de recursos naturais seja coerente, as vantagens desse tipo de aferição em edifícios rendem não apenas dividendos sustentáveis e de economia com gastos depois do Habite-se – como água, luz e gás –, mas aumentam a liquidez dos imóveis na hora da venda. Usados como instrumentos de marketing, os popularmente chamados “selos verdes” estão em evidência. Não à toa estamos em 4o lugar no ranking mundial de certificações Leed, a mais conhecida por aqui. Sinergia boa essa, quando os setores econômicos e ambientais caminham juntos.
Mas o Brasil se revela cada vez mais uma terra de paradoxos: no topo do ranking das certificações ambientais — embora ainda representem apenas 2% de todos os lançamentos imobiliários — e engatinhando nos princípios básicos da construção de qualidade quando o assunto é habitação popular. Um estudo do Ministério da Transparência, Fiscalização e Controladoria-Geral da União, que avalia a execução de programas de governo, revelou que 48,9% dos imóveis da faixa 1 do Minha Casa Minha Vida possuem algum problema ou incompatibilidade em relação ao projeto.
Enquanto isso, o mercado espera pelo anúncio do governo federal dos leilões do pacote de obras de infraestrutura divulgado em setembro do ano passado — 34 projetos nas áreas de energia, aeroportos, rodovias, portos, ferrovias e mineração —, na esperança de finalmente reaquecer o setor nesse momento de estagnação.
É esperar para ver.

01 de Março de 2017