Edição 272

O projeto das Casas Gêmeas, de autoria do Zoom Arquitetura e que ilustra a capa desta edição, exemplifica como a arquitetura pode ser usada para potencializar o uso de um espaço. No terreno de um antigo sobrado, o escritório concebeu duas casas geminadas e ainda incluiu pequenas diferenças nas plantas para adequá-las a cada um dos moradores. Na Casa Barra Bonita, outro projeto desta edição, Nitsche Arquitetos em parceria com o Estúdio Trópico eliminaram obstáculos visuais criando uma residência multifuncional. A configuração permite que o espaço sirva também para abrigar eventos, ampliando literal e conceitualmente o horizonte dos proprietários, chefs de cozinha.
Com o uso de uma cobertura metálica pré-fabricada, a Casa Arca, do Atelier Marko Brajovic, partiu de uma preocupação ambiental para permitir uma experiência reveladora. O arquiteto optou por estabelecer como se daria a organização interna depois de um teste empírico. Somente após algumas noites dormindo na casa, Brajovic definiu quais usos seriam mais lógicos, eficientes e necessários.
As iniciativas vão ao encontro do que defende Hashim Sarkis na seção Entrevista. Diretor da escola de arquitetura e planejamento do Massachusetts Institute of Technology (MIT), ele esteve em São Paulo conversando com a AU sobre a importância de os arquitetos reinventarem a si mesmos. Para ele, o aumento da complexidade das tarefas deve impulsionar os profissionais a resgatarem seu papel criativo e de síntese, explorando melhor as áreas complementares a seus trabalhos. Tudo deve ser ampliado, e nem mesmo os espaços físicos limitados são obstáculo para que os projetos busquem o infinito em cada uma de suas versões.

01 de Novembro de 2016