Edição 283

Ao longo de minha carreira, tive a honra de conviver com grandes mestres da arquitetura.
Dentre eles, meu primeiro professor de projeto, Siegbert Zanettini. Pioneiro no emprego do aço como alternativa ao concreto armado, o arquiteto rompeu com a lógica do movimento moderno e desenvolveu, na unha, a tecnologia da construção metálica no país. Zanettini soube, com maestria, equacionar sua expressiva produção como arquiteto com seu profícuo trabalho na academia. Grandes arquitetos, salvo exceções, transitam bem entre a universidade e o escritório. Talvez daí venham a inventividade e a atualização constantes desses profissionais híbridos.

Encontrar Zanettini quase 15 anos depois de ser seu aluno foi uma lição de que se manter ativo é para poucos. No auge de sua produção e inventivo como de costume, o arquiteto reforçou ideias que há tempos são defendidas como modelo de ensino da arquitetura: a reaproximação com as engenharias e a interdisciplinaridade são as chaves para o êxito na profissão.

Prova dos frutos desse tipo de relacionamento é o projeto que ilustra a capa desta edição. A Aktivhaus, iniciativa conjunta da Universidade de Stuttgart com o grupo alemão Fischer – de componentes de fixação e sistemas construtivos –, é exemplo efetivo de como o desenvolvimento de novas tecnologias pode suprir demandas urgentes como a de abrigos para a população de refugiados recém-chegados à Europa.

Werner Sobek, líder do projeto ao lado de Klaus Fischer, aposta no desenvolvimento de tecnologia em sistemas construtivos baseado no tripé zero energia, zero emissão, zero desperdício. Quase noventa anos depois da Carta de Atenas, talvez seja esse o passaporte para o modelo universal de arquitetura. Bem diferente dos gabaritos impositivos de layouts e pré-conceitos de como o espaço deveria ser apropriado pelo usuário.

Liberdade de uso, liberdade de escolha, customização e personalização: esses são os ingredientes da arquitetura que tem como pretensão ser acessível a todos.

Boa leitura.

01 de Outubro de 2017