Edição 242

À medida que o patrimônio construído envelhece e começam a rarear os terrenos, um novo mercado se abre aos incorporadores. Seja pela passagem do tempo, seja pela obsolescência de seus sistemas, prédios inteiros, bem localizados, cercados de infraestrutura, aguardam uma segunda chance de uso. Trata-se de um enorme contingente urbano entregue ao tempo e a leis anacrônicas de uso. Basta ver os centros de grandes capitais como São Paulo, Rio, Belo Horizonte e Porto Alegre, só para citar alguns. Milhares de edifícios poderiam recompor estoques comerciais ou residenciais, com clara diversidade de oferta não atendida hoje pelas leis de mercado.
O retrofit é a prática de colocar algo antigo em forma novamente, após um ciclo de uso. Nas edificações, esse ciclo é cada vez mais curto, em razão da evolução tecnológica e da fluidez de mercado, que impõe novas ocupações aos espaços. Na Europa, onde essa consciência se estabeleceu há mais tempo, as construções são projetadas para comportar mudanças de uso e assimilação mais fácil de sistemas de uma nova geração. No entanto, muitas obras requerem mais do que uma “mudança de casca”. Por descaso com a manutenção ou simplesmente necessidade de adaptação, às vezes se deve ir além das mudanças superficiais.
Para o sucesso das obras de retrofit – e também de recuperação – é preciso lançar mão tanto da habilidade de projetistas quanto dos melhores recursos técnicos. Algumas adaptações e reformas esbarram em obras complexas, como substituição de instalações, troca de fachadas e uso de pisos especiais, mas nada requer mais atenção do que mudanças estruturais. Às vezes, é necessário reforçar ou aumentar o diâmetro das peças e até recorrer a elementos de transição de cargas para novos layouts.
Nesta edição mostramos algumas aplicações da fibra de carbono, um componente nobre que ganha cada vez mais adeptos entre calculistas. Até então, esse material com resistência e módulo de elasticidade superiores aos do aço era usado quase exclusivamente em obras de recuperação estrutural de obras de arte, como viadutos e pontes atingidos por incêndios ou com armaduras expostas pelo tempo. As facilidades de aplicação e a versatilidade mostram que é possível utilizar a fibra para a solução de diferentes desafios, como a recuperação de fundos de laje, escadas e ligações de dois elementos. Veja a reportagem de capa com alguns casos emblemáticos e os requisitos para o uso dessa tecnologia.

01 de Maio de 2017